CADASTRO     ATUAL    ANTERIORES    NOTÍCIAS     PESQUISA     PROFLETRAS

MARCAS (IN) VISÍVEIS DA VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA CONTRA A MULHER: UM ESTUDO DE CASO

d.o.i. 10.13115/2236-1499v2n19p232

 Rosa Maria F. de B. Falcão da Paixão (FACIGA/AESGA)[1]

Maria José de Matos Luna (UFPE)[2]

 

Resumo - O objetivo do presente artigo é dar visibilidade as consequências da violência psicológica praticada contra a mulher. Assim, parte-se do pressuposto de que, embora comece de forma sutil e silenciosa, a violência psicológica deixa marcas que precisam ser identificadas, pois comprometem a saúde e o bem-estar da vítima. Para tanto, analisou-se um caso de violência doméstica, onde a mulher encontrava-se em situação de sofrimento e recorreu ao Núcleo de Prática Jurídica (NPJ), da Faculdade de Direito de Garanhuns (FDG), em busca de assistência jurídica. Ao lutar por uma vida com mais autonomia e liberdade, a mulher se expõe a várias formas de violência e, muitas delas, não percebem a violência velada em atos tidos como banais mas que, na realidade, ocultam um caráter anti-libertário da autodeterminação feminina.  Essa luta, que é travada sobretudo no espaço interior da vida privada, tem gerado muito sofrimento que pode ser identificado através da fala e detectado em forma de sintomas e sinais.  Geralmente, a violência psicológica está associada à violência física. Ficou constatado que a violência psicológica provoca muito sofrimento e repercute negativamente na vida da mulher, podendo acarretar tendências autodestrutivas.

Palavras-chave: Violência contra a Mulher. Violência Doméstica. Violência Psicológica. Saúde. 

 

Abstract – The objective of this article is to give visibility to the consequences of psychological violence against women. Thus, it is assumed that, although it begins subtly and quietly, psychological violence leaves marks that need to be identified because they compromise the health and well-being of the victim. Therefore, analyzed is a case of domestic violence, in which the woman found themselves in a situation of suffering and appealed to the core of legal practice (NPJ), college of law of Garanhuns (FDG), in search of legal assistance. In striving for a life with more autonomy and freedom, women expose themselves to various forms of violence, andmany of them do not perceive violence veiled in acts considered banal, but which in fact conceal an anti-libertarian character of female self-determination. This fight is fought mainly in the interior space of privacy, has generated a lot of suffering that can be identified through the talks and detected in the form of signs and symptoms. Generally, the psychological violence is associated with physical violence. Was found that the psychological violence causes much suffering and reflects negatively on a woman's life, and can lead to self-destructive tendencies.

Keywords: Violence against Women. Domestic Violence. Psychological Violence. Health.


 

[1] Graduada em Psicologia pela UNICAP e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos – PPGDH, da Universidade Federal de Pernambuco/UFPE. Professora da Faculdade Integrada de Garanhuns- FACIGA/AESGA. E-mail: rmfalcao@hotmail.com

[2] Doutora, em regime de co-tutela, Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco (2007). Professora do Depto. de Letras CAC/UFPE. Presidente da Comissão de Direitos Humanos D. Helder Câmara da Universidade Federal de Pernambuco. E-mail: mjmatosluna@gmail.com

 


Texto Completo:

PDF

REFERÊNCIAS

AMARAL, A. C. A violência doméstica a partir do olhar das vítimas: reflexões sobre a lei Maria da Penha em juízo. Belo Horizonte: D’Plácido, 2017.

BITTAR, D.; KOHLSDORF, M. Ansiedade e depressão em mulheres vítimas de violência doméstica. Psicologia Argumento, 2013 jul./set., 31(74), 447-456   Disponível em: http://www2.pucpr.br/reol/pb/index.php/pa?dd99=about    Acesso em: 04 nov. 2017.

BOFF, L. Saber Cuidar: ética do humano - compaixão pela terra. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

BRASIL. LEI nº 11.340. (LEI MARIA DA PENHA). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm Acesso em: 20.jul.2016.

BRASIL. Senado Federal. Violência doméstica e familiar contra a mulher. Instituto de Pesquisa data Senado. Junho de 2017.   Disponível em: http://www.justicadesaia.com.br/wp-content/uploads/2017/06/VIOL%C3%8ANCIA-DOM%C3%89STICA-E-FAMILIAR-CONTRA-A-MULHER-2017.pdf  Acesso em: 23. Out. 2017.

CHADDERTON, C.; TORRANCE, H. Estudo de caso. In: SOMEKH, B.; LEWIN, C. (Org.). Teoria e métodos de pesquisa social. Tradução de Ricardo A. Rosenbusch. Petópolis, RJ: Vozes, 2015. p. 90-98.

CUNHA, R. S.; PINTO, R. B. Violência Doméstica: Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) comentada artigo por artigo. 2 ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008.

DIAS, M. B. Lei Maria da Penha: a efetividade da Lei 11.340/2006 de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. 4 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015.

GOMES, R.; MINAYO, M. C. de S.; SILVA, C. F. R. Violência contra a mulher: uma questão transnacional e transcultural das relações de gênero. In: Impacto da violência na saúde dos brasileiros. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.

LUCENA, M. de F. G. de. Saúde, gênero e violência: um estudo comparativo Brasil/França sobre a saúde da mulher negra. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2014.

MAÑEZ, J. del Valle; SILVA, M. S. A “dança” do casal vira caso de polícia: um estudo sobre o trabalho com a violência do casal no Juizado Especial Criminal de Curitiba. In: CARVALHO, M.C.N.de; FONTOURA, T.; MIRANDA, V. R. (Org.). Psicologia Jurídica: temas de aplicação II. Curitiba: Juruá, 2011.

MESQUITA, A. C.; CARVALHO, E, C. A Escuta Terapêutica como estratégia de intervenção em saúde: uma revisão integrativa. Rev Esc Enferm USP 2014; 48(6):1127-36

Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v48n6/pt_0080-6234-reeusp-48-06-1127.pdf Acesso em: 26 ago 2016.

MONTEIRO, C. F. de S.; SOUZA, I. E. de O. Vivência da violência conjugal: fatos do cotidiano. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2007 Jan-Mar; 16(1): 26-31. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/tce/v16n1/a03v16n1.pdf> Acesso em: 04 nov. 2017.

MULLER, Jean-Marie. O princípio da não-violência: uma trajetória filosófica. São Paulo: Palas Athena, 2007.

OMS. Organização Mundial de Saúde. Organização Pan-Americana de Saúde. Violencia contra la mujer: um tema de salud prioritario. Junio 1998. Disponível em: http://www.who.int/gender/violence/violencia_infopack1.pdf  Acesso: 03 nov 2017

OMS. World Health Organization. Direção-Geral da Saúde. Relatório Mundial da Saúde. Saúde Mental: nova concepção, nova esperança. 2002. Disponível em: <http://www.who.int/whr/2001/en/whr01_po.pdf >    Acesso em: 13 nov. 2017.

PELIZZOLI, M.; NUNES, J. O fenômeno da saúde: o cuidado à luz da hermenêutica filosófica. In: PELIZZOLI, M. (Org). Saúde em novo paradigma: alternativas ao modelo da doença. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2011.

SAFFIOTI, H .I. B. Contribuições feministas para o estudo da violência de gênero. Cadernos pagu (16) 2001, p.115-136 Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cpa/n16/n16a07.pdf> Acesso em: 20 jun 2017

SAFFIOTI, H. I. B. Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004.

SILVA, L. L. da; COELHO, E. B. S.; CAPONI, S. N. C. Violência silenciosa: violência psicológica como condição da violência física doméstica. Interface – Comunic., Saúde, Educ., v. 11, n. 21, p. 93-103, jan/abr 2007.

  TURATO, E. R. Tratado da Metodologia da Pesquisa Clínico-Qualitativa: construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas de saúde e humanas. Petrópolis (RJ): Vozes, 2010.