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USOS DA LINGUAGEM COMO MANIFESTAÇÃO DE SINGULARIDADE DE PESSOAS COM LÚPUS EM REDES SOCIAIS: DISCUSSÃO A PARTIR DE APORTES DE TEORIAS FENOMENOLÓGICAS[1]

d.o.i. 10.13115/2236-1499v2n19p266

Renato Lira Pimentel (UPE/UFPE)

lira.pimentel88@yahoo.com.br

 

Resumo: Nesta pesquisa, temos o intuito de analisar, com aportes de teorias fenomenológicas, como são configuradas identidades de pessoas com Lúpus a partir da linguagem em publicações do Facebook. A nossa problemática parte do pensamento de que a maioria das pessoas com Lúpus têm na linguagem um modo de refúgio para as suas dores, além de estarem em constante embate sobre o modo de ser com si próprios e com os outros na busca pelo seu lugar no mundo. Nesse sentido, discutimos a temática levando em consideração os pensamentos de Husserl (1990) e Heidegger (2005) no que se refere aos preceitos da fenomenologia. Selecionamos no site formador e mantenedor de redes sociais Facebook a página de uma comunidade chamada “Lúpus Brasil”. Na página desta comunidade, selecionamos aleatoriamente 5 conjuntos de comentários em 3 postagens feitas pelo administrador sobre aspectos que envolvem a patologia e discussões a esse respeito. Todos os perfis das pessoas que fizeram os comentários são públicos e todas essas pessoas afirmam conviver com a patologia. De modo geral, percebemos que existe uma tendência à simplificação do ser, por estar “inserido” em uma vida cheia de dores, como se o ser, por estar levando um vivido regado à patologia, ela o dominasse e o simplificasse tornando-o esquecido, e sendo pensado somente como um ente e não como um ser. Mesmo assim, alguns indivíduos, de maneira alguma, deixam de enxergar que por trás do doente existe um ser.

Palavras-chave: Linguagem. Fenomenologia. Lúpus.

Abstract: In this research, we intend to analyze, with contributions from phenomenological theories, how identities of people with Lupus are configured from language in Facebook publications. Our problematic part is the thought that most people with Lupus have a language of refuge for their pain in language, as well as being in constant clash over how to be with themselves and with others in the search for their place in the world. In this sense, we discuss the theme taking into account the thoughts of Husserl (1990) and Heidegger (2005) regarding the precepts of phenomenology. We selected in the site social network formador and maintainer the page of a community called "Lupus Brazil". On the community page, we randomly selected 5 comment sets in 3 posts made by the administrator on aspects involving pathology and discussions in this regard. All the profiles of the people who made the comments are public and all these people claim to live with the pathology. In general, we perceive that there is a tendency for simplification of being, because it is "inserted" in a life full of pain, as if the being, by being led a lived watered to the pathology, it dominated and simplified making it forgetful , and being thought only as an entity and not as a being. Even so, some individuals, in no way, fail to see that behind the patient there is a being.

Keywords: Language. Phenomenology. Lupus.

 

[1] Trabalho resultante da disciplina de Seminários em Linguística IV – Filosofia da Linguagem – no curso de Doutorado em Linguística - UFPE.


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Referências

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