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ANÁLISE DO CONCEITO DE LIBERDADE NO FILME

A LIBERDADE É AZUL, DE KRZYSTOF KIESLOWSKI,

A PARTIR DA FILOSOFIA AGOSTINIANA

d.o.i. 10.13115/2236-1499v2n19p338

Walterson José Vargas (UFBA)[1]

 

Resumo: Analisa-se neste artigo o tema da liberdade no filme A liberdade é azul, de Krzystof Kieslowski, a partir do enfoque agostiniano do conceito de liberdade. Utiliza-se como marco teórico para a análise a leitura que Hannah Arendt faz da liberdade da vontade, partindo da natural duplicação da vontade em querer/não querer, o que se constitui em verdadeira tensão, só superável por um enfoque da vontade em sua relação com as outras faculdades da alma (memória e vontade) e com as categorias próprias da temporalidade (passado, presente e futuro). Aliada a estas duas chaves de leitura, utiliza-se o enfoque agostiniano da ordem do amor, para chegar a entender que a vontade só se redime de sua natural duplicação quando se lança em ações práticas orientadas corretamente pelo amor e para o amor.

Palavras-chave: vontade, amor, adesão, afastamento, perda, memória, processo.

Abstract: This article analyzes the theme of freedom in Krzystof Kieslowski's film La libertad é azul, based on the Augustinian approach to the concept of freedom. Hannah Arendt's reading of the freedom of the will is used as a theoretical framework for the analysis, starting from the natural doubling of the will to will / not to want, which constitutes a true tension, only surpassable by a focus of the will in its relation with the other faculties of the soul (memory and will) and with the categories of temporality (past, present and future). Allied to these two keys of reading, the Augustinian approach of the order of love is used, to come to understand that the will only redeems itself from its natural duplication when it launches into practical actions oriented correctly by love and for love.

Keywords: will, love, adhesion, remoteness, loss, memory, process.

 

[1]              Pós-doutorando em Filosofia na UFBA (Universidade Federal da Bahia), doutor em Filosofia pela USP (Universidade de São Paulo) e mestre em Teologia Sistemática pela PUC-Chile (Pontifícia Universidad Católica de Chile).



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Referências:

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